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quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Montaditos, como não amar?

Post rápido e rasteiro de uma palavra: montaditos. Ou melhor, de duas palavras: 100 Montaditos.






Endereços aqui.

O Guinter (nosso correspondente catalão) já tinha dado a barbada. Tudo no cardápio sai por 1 euro nas quartas e domingos. E tem também as tábuas, com 5 montaditos. E chope 0,5l por 1,50 euro. E amanhã é quarta! \o/

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Só pra..

Só pra não dizerem que não teve post hoje, esse postinho que é pra lembrar:

1) Que viajar pela Easy Jet é >>>>> que a RyanAir;
2) Que o De Gaulle é >>>>>>>>>>> que Beauvais;
3) Que a lingüiça tcheca parece salame, mas tem gosto de salsicha;
4) Que um real compra oito coroas tchecas;
5) Que a cerveja aqui é mais barata que Paris e Poa (60 coroas paga um caneco de 1l);
6) Que Praga é linda de noite!

E por hoje é só, pessoal.



sábado, 8 de novembro de 2014

Trastevere: a Cidade Baixa romana

Sem dúvida Roma foi um belíssimo passeio. Mas quem ganhou um lugarzinho no coração da gente foi o simpático bairro de Trastevere.

Torcida antifascista da Lázio: representação em Trastevere

Esse era o antigo bairro judeu de Roma. Na verdade, a região foi consolidada como região típica dos judeus ali no final da República, quando os comerciantes hebreus migraram para a região e aproveitaram a proximidade com o rio Tibre para estabelecerem atividades econômicas. No meio do período medieval, fugindo das perseguições cristãs, muitos judeus se converteram e foram morar do outro lado da ponte, abandonando o bairro gradualmente. Lá pelo final da Idade Média, a região passou por uma série de reformas lideradas pela Santa Sé para "adequar" o bairro às carruagens, destruindo boa parte das ruazinhas dele. Ainda assim, algumas dessas ruazinhas permanecem nos dias de hoje e são um dos principais charmes de Trastevere.

Vielinhas e ruazinhas em Trastevere: vale a pena se perder

Hoje, ele abriga diferentes cenários, numa vibe meio alternativa. A gente chegou lá procurando a igreja de Santa Maria do Trastevere, uma igreja que existe desde o século V. Na entrada, a gente nem dá nada por ela, mas lá dentro a gente viu um teto folheado em ouro. Pena que chegamos no meio da missa e achamos melhor dar uma volta nos arredores (uma ótima ideia coroada com pizza na pracinha).

Igreja de Santa Maria do Trastevere

No dia seguinte, fomos parar de novo em Trastevere. Mas agora com um objetivo mais nobre: ter uma legítima janta italiana. Achamos um pequeno restaurante cheio de turistas chamado "Carlo Menta". E seu Carlo não decepcionou: as massas eram deliciosas, tinha bruscheta de entrada, carne, pão e sobremesa. E é claro, não podia faltar o vino della casa (não era lá essas coisas, mas por 8 euros o litro, foi um achado).

Detalhe para a garrafa de vinho da casa

A nossa terceira ida para o Trastevere foi marcada pela busca de um bom boteco. Aqui em Roma, eles gostam muito de tomar Spritz, um drinque com vinho branco, soda e aperol (uma espécie de digestivo amargo e de cor alaranjada). Tivemos que tomar uns spritz, né? A Juliane super aprovou, dizendo que depois que a gente se acostuma com o amarguinho, é uma delícia. 

Spritz e diva

Alias, o nosso boteco do coração em Trastevere acabou sendo o San Calisto (que fica na praça de mesmo nome). O banheiro é sujo e o lugar parece um bolicho, mas tem seu charme. Numa das paredes, um quadro antigo e desbotado de Paulo Roberto Falcão (o re de Roma). No balcão, vendia-se cerveja, café, campari e gelato (!?). Vimos inclusive uma simpática e gigante cadela chamada Ricota (fale com o R de " carinho") que vai lá comer gelato. Além disso, o bar é conhecido por uma das cervejas mais baratas de Roma. A Peroni, marca principal da Itália, saía por 2,50 euros a garrafa de 0,66l - a piccola saía por 1,50. E quando falamos para o dono do bar que éramos de Porto Alegre ("Falcone")? E o garçom que era bonitão? E a cerveja barata - eu já disse isso, né?

"Falcone", o re de Roma

No último dia, a gente não pensava em ir para Trastevere. A ideia era ir até o monte Gianicolo, um ótimo lugar para admirar a vista da cidade e que de quebra ainda tem o túmulo da Anita Garibaldi. O "problema" é que para chegar lá é preciso passar por Trastevere. E aí já viu, né? Na volta passamos lá de novo, para comer "una buona pizza" e tomar uma saideira.

Mesa de madeira, cadeira de plástico e Peroni na mesa

Podem ter certeza: Trastevere deixa saudades.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Coisas legais em Roma

24 horas depois, Roma agrada muito o turista que se vira nos trinta com pouca grana. Os passeios não são exorbitantes de preço (Paris é bem mais, gente) e dá até pra fazer passeios a pé pelas praças, fontes e igrejas romanas. Tudo isso é de graça e nos piace moltissimo.

Mas tem algumas coisinhas que fazem de Roma um lugar que realmente vale cada sestércio gasto (só pra avisar, as fotos são de celular mesmo):

1) Sorvete

gelato italiano é um tapa na cara de qualquer sorvete que a gente tenha comido no Brasil. Em alguns lugares mais turísticos, por cerca de 3 euros vocês podem comer essas delícias (casca ou copinho). Cremoso, geladinho e muuuito doce.


2) Cerveja de 600ml (e a buono mercatto):

Os italianos são mais famosos pelo vinho e pelo aperol do que pela cerveja. Mas por 3 euros dá para tomar uma Peroni de 0,66l, como eles dizem. Não é a melhor cerveja do mundo, mas nesse outono mediterrânico tem caído muito bem! Mas é bom se ligar: depois das 22h, nada de garrafa de vidro na rua.

3) Fontes:

Roma samba na cara de São Paulo. A cada esquina, uma fonte jorra uma Cantareira inteira. Além disso, elas são sempre muito bonitas. Infelizmente, a Fontana di Trevi está interditada, mas tem dezenas de outras espalhadas pela cidade.


4) SPQR:

Isso vale só para quem é meio obcecado com História mesmo. Toda obra pública retoma o SPQR (ou Senatus Populusque Romanus, ou "O Senado e o Povo de Roma"). Essa era uma inscrição latina, que existe em Roma desde os primórdios da República, lá pelo século VI aC. E tá ali ainda hoje, nos bueiros e postes. Muita emoção - embora a Juliane discorde.


5) Copo de vinho:

Não, não é taça, é copo mesmo. Eles vendem em qualquer lugar copinhos industrializados de vinho e tem tinto, ou rosé. Não tomamos, então não sei se recomendo. Mas uma dica que já sabemos é que para tomar vinho bom e barato, melhor sempre pedir o vinho da casa.


6) Bicas:

Compre apenas uma garrafa d'agua em Roma. Quando ela acabar, dê uma volta pelo quarteirão e procure uma das muitas bicas d'agua que jorram incessantemente (chora, SABESP!). A água é limpa e geladíssima e todo mundo usa, bem de boa. Comprar água mineral aqui, só se for no desespero mesmo.


7) Pizzas:

As pizzas italianas são um mundo à parte. A massa é sempre caseira e deliciosa, não importa onde você compre a pizza. Tem sido nosso alimento básico aqui (deliciosas e baratas). Amanhã quero falar um pouco mais delas, então por ora, fica só uma foto de uma Margherita que comi ontem (e sim, a mozzarella é um espetáculo!).



sábado, 1 de novembro de 2014

Rue Faubourg Saint-Denis - o lado ocidental

Bem, ontem o Fernando já contou que, por um erro de direção, fomos parar no lado errado da Rue Faubourg Saint-Denis, chegando assim no seu lado oriental, o que foi surpreendente. Mas hoje é dia de falar do outro lado da rua, o ocidental, mas que talvez não seja tão ocidental assim...

Primeiro, a nossa ida à região se deu porque queríamos conhecer o Canal Saint-Martin, um canal inaugurado em 1825 que é famoso por ser local de encontro da galera descolada da cidade. No verão, às margens do canal, o pessoal costuma se reunir para tomar uma bière e jogar conversa fora. Além disso o canal passa por alguns dos bairros descolados-alternativos da cidade (ou está muito perto deles), como o 10e, 11e, 18e, 19e, 20e. Importante: esses são bairros com muitos imigrantes e diferentes daquela Paris que a gente costuma ver perto dos grandes pontos turísticos. Falamos aqui de uma Paris mais real e contemporânea, e por isso com mais tensão social. Bem, voltando ao canal, ei-lo:

Lugar para correr, passear com o seu cachorro e beber com a galera.

Como íamos até lá, lendo o Paris Lado B (super indicado para quem quer sair do óbvio) fiquei sabendo que uma rua bem perto dali tinha uma série de bares legais e assim resolvemos esticar o nosso passeio até lá (bom, vocês já sabem que erramos o caminho vou passar direto para o caminho certo).

A Faubourg Saint-Denis, na parte ocidental, é bem curtinha, vai até o número cento e pouquinho, acho que umas 6 quadras no máximo. Não há nada de turístico na região, só bares, tabacarias, lojas, cabeleireiros, coisas normais de um bairro normal. Mas ela tem um "não-sei-o-que" que em alguns momentos me fazia sentir na América Latina, seja pela canção ou por uma amistosidade que não é muito comum por aqui.

Seguimos as dicas de bares que havíamos anotados. Deixamos um de fora, pois o preço da cerveja havia subido e entramos em um outro sem dicas , como vou dividir com vocês agora:

Le Sully: número 13 da rua, é um bar pequeno e simpático, com ótimo atendimento e pint de Krone por 3,50 euros.  Depois você tem a 1664 (séze) por 4 euros, e outras que giram em torno desse preço (a mais cara é 6 euros). Importante: o bar lota.

Le Prado: número 10 da rua, em frente ao Sully, é muito parecido com seu vizinho, inclusive nos preços (e simpático também!).

Tribal Cafe: fica em uma rua perpendicular, a "Petites Ecuries" (parece uma "passagem", a rua tem várias e com vários restaurantes baratos). Aqui foi um estouro: pint por 3 euros (Krone) e mais uma vez atendimento bom, e ambiente agradável. Aos finais de semana, rola uns rangos de graça e o bar lota (pelo que entendi, antigamente tinha boca livre todos os dias).

Para comer, uma série de fast foods: kebabs, paninis, pizza italiana, pizza turca (tem pimentão, gente, só para avisar) e cachorro-quente! Quando vimos a plaquinha do "hot dog" já sabíamos onde seria o lanche (não havíamos visto aqui ainda, assim, no meio das comidas de rua). Assim, fomos até o Hutch: house of hot dogs, um espaço pequenininho ali na Faubourg. Quando chegamos, o atendente estava servindo duas moças alemãs, então a conversa era meio curta, com palavras em francês, alemão e acho que até alguma coisa em inglês, mas frase completa ninguém dizia. Depois, na nossa vez, tentamos falar em francês como sempre, mas tivemos uma dúvida de vocabulário que o rapaz não sabia responder, foi quando ele confessou: era o primeiro dia de trabalho e ele não falava quase nada de francês. Ele falava espanhol. (Cinco segundos de alegria.) Daí para frente liberamos o Eric para falar em espanhol e podemos conversar um pouco com ele, que veio de Córdoba e agora está trabalhando com o irmão nos hot dogs (que na verdade são os deliciosos panchos!). O lanchinho saiu por 4 euros, bem gostoso, e ainda deu para trocar uma ideia com um "confrade", a gente super voltaria.

Acabamos indo a rua novamente, e quase nos perdemos de novo, indo parar na Faubourg Saint-Martin, que também tem portal na entrada. Para nossa sorte, era quase do lado da Saint-Denis..
.
Essa é a entrada da Faubourg Saint-Martin.


E essa é a entrada da Faubourg Saint-Denis, a que a gente queria...

Mas nesse novo erro, acabamos caminhando mais pela região e vendo um lado do 10e que ainda não havíamos visto do lado "ocidental", a Paris dos imigrantes africanos, quase exclusivamente. Em algumas ruas (travessas na verdade), muitos cabeleireiros, todos africanos, e com clientes africanos. Pelo que entendemos, o esquema é por filas, assim, rola uma muvuca amiga na frente do salão porque está todo mundo esperando a sua vez.

Assim, da Índia até a África, passando pelo sudeste asiático e pelo nosso vizinho de Córdoba, somado a galera alternativa-descolada, a Faubourg Saint-Denis é um ótimo lugar para se conhecer e se sentir um pouco cosmopolitaine e um pouco em casa também.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Rue Faubourg Saint-Denis - o lado oriental

Para ler com a trilha sonora de "Aventureiros do Bairro Proibido"...

Uma das ruas mais descoladinhas de Paris é a Rue Faubourg Saint-Denis. A gente foi conhecer ela ontem, graças a um post do excelente blog, Paris Lado B - que vira e mexe nos ajuda a nos locomover nas indiadas parisienses. O problema é que a gente pegou um caminho errado perto da Gare du Nord e quando vimos, fomos entrar numa Faubourg Saint-Denis que não é aquela descrita no modo de vida alternativo parisiense.

Na verdade, essa rua atravessa três bairros: o 3e, o 10e e o 18e. Ali por volta da boulevard Magenta, contudo, é que o bicho pega. Já falamos antes que a cidade de Paris é cheia de imigrantes e que em alguns bairros, como o 10e, o 11e, o 19e e o 20e meio que se misturam cultura alternativa e essa cultura imigrante. Entrecruzam-se um monte de narrativas, mas que geralmente parecem cair ou no imigrante africano, ou no imigrante árabe. Mas ontem, andando no lado "oriental" da Faubourg, vimos que a rua é também um centro da cultura indiana na França!

Uma cultura indiana, claro, com peculiaridades. Uma imensa quantidade de açougues halal (que são os açougues para carnes abatidas com a supervisão de um sacerdote islâmico) e os inúmeros restaurantes com temática paquistanesa e bangladeshiana indicam que é uma visão mais islamizada da cultura indiana que encontramos ali. Mas vou guiar vocês por essa parte - e no próximo post, a Juliane vai guiar vocês para a parte mais boêmia.

Descaradamente roubado do Google Street View, mas foi aí que tomamos nossa pint


No início, ela parecia ser só uma rua normal, com alguns fast food indicando o "verdadeiro sabor do oriente". Alguns metros adiante da Gare du Nord chegamos a sentar num café para tomar uma cerveja e o dono nos atendeu com sorrisos e gentilezas - sinal de que ele não era lá muito parisiense. A bebida com preço honesto nos fez seguir o caminho, esperançosos de que estávamos na tal parte boêmia; as lojas de roupas dizendo "o melhor de Bollywood" indicavam o contrário.

Pouco a pouco, nos deparamos com um bombardeio de cultura indiana. Uma cultura, de certa forma, levada ao extremo para marcar a posição dos imigrantes do bairro. Pimentas, que até então não encontrávamos, praticamente brotavam dos mercadinhos da rua. Os cheiros de temperos ocupavam boa parte do olfato. As lojas de vestido eram tão deslumbrantes que até agora não sabemos se eles eram feios ou bonitos. Cardápios e vitrines escritos em sânscrito, árabe e até em inglês. De vez em quando aparecia algo escrito em francês. Ainda estávamos em Paris?


Há que se salientar que essa é uma zona de imigração e, como era de se esperar, ela é mais pobre do que as regiões mais centrais. Consequentemente, há mais pobreza na rua, ainda que não se veja tanta miséria - não vimos moradores de rua, por exemplo. Por outro lado, quando paramos no café para tomar a sagrada cervejinha, a Juliane reparou que enquanto o bairro era tomado por indianos, as mulheres mesmo não ocupavam as ruas. As mulheres que passavam por nós geralmente eram brancas, tipicamente parisienses, ou turistas perdidas ali. Ficamos em dúvida o quanto essa cultura de imigrantes indianos em Paris não tinha também suas sutilezas em termos de sexismo. Em todos os bares/cafés pelos quais passamos, por exemplo, somente homens ocupavam as mesas.

Mercadinho indiano e cingalês
A partir do viaduto de La Chapelle, a rua muda de nome, vira a Marx-Dormoy, e é uma das entradas para o 18e, conhecido por ser mais popular (e abrigar a Sacre Coeur e o Moulin Rouge, região conhecida como Montmartre). No viaduto, indianos, árabes, africanos estão ali vendendo versões totalmente legítimas (bem, mais ou menos...) de eletrônicos. A partir dali, achamos que estávamos bem distantes da zona boêmia descrita nos guias para turistas (que só inclui aqueles pontos turísticos ali). Voltamos o caminho...e novos olhares assombrados para a petit Bombay parisiense.

O mais legal desse passeio, claro, foi encontrar essa gama de culturas perdidas na selva de pedra que é Paris. Eles não fazem parte de nenhuma narrativa normal sobre a cidade (que destaca somente a imigração africana ou árabe), mas sim de algo que até então não sabíamos que existia: uma zona de imigrantes de origem indiana (e paquistanesa, e nepalesa, e bangladeshiana e até cingalesa - que é quem vem do Sri Lanka). Isso, sem dúvida, faz de uma capital como Paris realmente cosmopolitaine, como eles gostam de dizer.

Bollywood hindu dvd
Por outro lado, esses enclaves de imigrantes são curiosos. Demonstram também a dificuldade de inserção de quem vem de uma cultura diferente para o coração da França. Se a nossa dificuldade em se habituar com Paris é grande, o que dirá dessa galera que nem sempre é familiar com o francês, que não tem recursos e que tá ali em busca de uma vida com melhores condições materiais? Já nos falaram antes que os imigrantes aqui costumam ficar muito entre eles...e de uma forma bastante inusitada, descobrimos isso na parte "oriental" de uma das ruas mais boemias de Paris. O que é uma prova de que flanar por essa cidade é conhecer um pouquinho do mundo.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Cervejas em Paris

Os dias mais friozinhos do outono em Paris chegaram e a gente vai sentindo isso nas bebidas. Estamos tomando mais café, já tomamos até chocolate quente e a Ju...bem, ela segue tomando chimarrão. Mas a maior mudança tem sido reintroduzir o vinho nos nossos hábitos, deixando de lado a boa e velha cervejinha.

A própria Juliane descobriu que tem vinhos franceses que ela consegue tolerar. Se bobear, até curtir! É o caso dos vinhos do sudeste da França, em especial os de regiões mais mediterrâneas (como o Languedoc, Roussillon e até mesmo a ilha de Córsega). Ela não curtiu muito os Bordeaux (que são lá do sudoeste) e também não deu muita bola para o Bourgogne (que fica na parte mais leste). Aqui os vinhos são definidos pela região e geralmente dependem de alguma mistura de uvas, sendo mais raro tomar Cabernet, Merlot, Malbec, entre outros. Geralmente os vinhos que usam um tipo de uva só são mais meia boca, então é melhor se arriscar com as misturas mesmo.

E eu? Bom, como os amigos Pablo e Muriel lembram, eu sou mais da cerveja. E a vida de um cervejeiro em Paris não é de todo mal, mesmo que as más línguas me acusem de desperdício por não aproveitar os vinhos franceses.

Primeira coisa boa que a gente tem sobre a cerveja aqui é que ela é razoavelmente barata e tem boa qualidade. Uma marca como a Kronenberg, que é a mais famosa daqui, apresenta duas cervejas: a própria "Kronen" e a "1664", popularmente conhecida como "seize" (se lê "çézi"). A 1664 é mais cara, mas mais gostosa. Lembra bastante a Original, mas mais "gasosa", se é que isso é atributo de cerveja. Cerca de 10 garrafinhas de 250ml (ou 25cl como eles chamam aqui) sai por mais ou menos 7 euros (ou 21 reais). Sai mais ou menos a mesma coisa que comprar 5 Originais no Zaffari. A Kronen, por sua vez, é a que sai mais em conta, com a mesma quantidade de garrafinhas saindo por 5 euros. É a nossa preferida, porque sabe como é a contenção de gastos, né?

Uma massa e uma "çézi"

A segunda coisa boa que eu poderia apontar é a variedade. Assim como o Brasil dos últimos dez anos passou a ter estantes de cerveja cada vez mais completas no supermercado, aqui na França não é diferente. No super perto de casa chegamos a encontrar a Colorado, cerveja produzida em Ribeirão Preto! Eu não sou um grande fã dessa cerveja, mas como todo o brasileiro, me escorre uma lágrima de saudade sempre que a gente vê algo made in Brazil (bem, nem sempre...). Assim, temos à nossa disposição algumas cervejas belgas (paraíso da ceva), tchecas (nirvana da ceva) e alemãs (valhalla das cevas). E tem também americanas (Bud), portuguesas (SuperBock) e etc. As francesas acabam sendo a nossa opção mais frequente, porque o preço é mais em conta. Mas vez ou outra a gente dá uma olhada nas demais.

A terceira coisa é o formato da dona cerveja. Como eu disse antes, as garrafinhas de cerveja vem em formato de 25cl. Se quiser, dá para levar para casa as de 70cl. Mas aí elas já não são tão baratas e correm o risco de esquentar rápido. No final das contas, o modelo long neck é mais barato e uma alternativa praticamente adotada por todo mundo. Tem também latinhas de diferentes tamanhos (25, 33 e 50cl), mas aqui em casa a long neck é a mais pedida. E com a vantagem de que elas gelam mais rápido, é claro.

Pint de Stella - 4 euros perto de casa

A quarta coisa é para aqueles, como eu, que preferem tomar uma cervejinha na rua do que em casa. Isso é um tanto quanto desolador, gente...mas não tem cerveja barata nas ruas de Paris. Eventualmente saímos para ir nos bares mais descolados e chinelões da cidade (11éme) e o modelo mais comum de ceva aqui é o pint (ou a pression), como eles chamam o nosso adorado "chope". O deles é menos gasoso e tem menos espuma no geral. Não é ruim, pois depende da cerveja. Algumas são ótimas - tem um barzinho no 11éme que tem chope de Delirium por 5 euros no happy hour. Já outras são terríveis - tomamos um no Marais, em setembro, que custava 3 euros mas era horrível. Acho que era Lyonnaise o nome da dita cuja. A medida do pint varia aqui, sendo na maioria das vezes copos de 45 ou 50cl. Os preços podem variar conforme o local, mas se você está pagando mais de 5 euros o seu pint em Paris, tá pagando caro.

Une pint, svp

Outra característica da vida "cervejística" em Paris é que os bares tem happy hour. Com isso, há um horário mais adequado para tomar sua cervejinha e que não fica muito tarde. Paris, como a nossa excelentíssima Porto Alegre, não tem mais bares abertos depois da 0h. É possível ainda encontrar alguns bares abertos depois da 1h, mas são raros e somente ficam abertos no final de semana.

De resto, para quem gosta de vinho e comete a heresia de preferir cerveja (tipo eu), Paris dá opções aceitáveis. Não são baratas, claro, mas dá para o nosso bolso. A única coisa que faz falta é o pé sujo mesmo. Boteco aqui não é que nem no Brasil. E esse hábito bem brasileiro de descer ceva com uma mesa cheia de gente não parece ter aqui. Cada um pede sua pint e fica ali, de boa, sendo blasé. Se em terra brasilis a zueira geralmente pede cerveja, aqui em Paris a falta de zueira mostra exatamente porque eles preferem vinho. 

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Na terra do Tintin - parte 2

Cervejeiros do mundo, uni-vos.

Mas uni-vos na Bélgica. Nessas mais de 24 horas de Bruxelas, três coisas nos encantam nos belgas: os próprios belgas (simpáticos), a sua junk food com fritas e waffles e, é claro, a sua cerveja.

Para todo cervejeiro, a dúvida é sempre a mesma: quantidade X qualidade. Devo beber menos, mas tomar uma cerveja sensacional? Ou então devo beber mais, mas correr o risco de passar mal no dia seguinte? Escolha difícil. Mas imagine o cenário: um pint (chope de 500ml) de uma cerveja comum ou uma cerveja de 250ml feita por monges cegos no coração da Valônia? Os dois têm o mesmo preço, mas a qualidade é completamente diferente.

Eu e a Juliane somos fãs da cerveja do elefantinho, a Delirium. Ela custa, no Brasil, cerca de 30 reais. Um roubo! Aqui, na sua terra natal, ela custa 2 euros nos mercados (nos bares, 3 euros). Fomos até o bar da Delirium ontem (legal, mas tem opções mais baratas) e tomamos ela e hoje fizemos um repeteco num bar perto do Manneken Pis (ou moleque mijão, uma atração turística belga...não perguntem).

O mérito das cervejas belgas, porém, tá nas cervejas trapistas - que são supervisionadas por esses maravilhosos monges cervejeiros. Ontem tomei uma Chimay e, no fim da noite, tomamos uma Chimay escura. Essas trapistas são como vinho, ou seja, não caem legal para um churras com a gurizada. Por outro lado, eles têm também as bières blanches, cervejas brancas que parecem um suquinho, com rodela de limão e tudo (estou tomando uma enquanto digito). Ótimas para o calor - se bem que tá frio aqui.

De tudo que podemos falar da Bélgica, nada parecia mais importante de falar do que as cervejas. Tanto que paramos no simpático L'Archiduc para isso...e tomar uma cerveja, é claro.