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sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Chinelagem em Cracóvia

Viemos para a Cracóvia fazer uma viagem relâmpago até Auschwitz-Bikernau. Nesse meio tempo, contudo, aproveitamos pra fazer uma chinelagemzinha (leia-se: turismo baixo custo regado à alguma zueira) em terras polonesas.

Vale dizer que por aqui, os preços são ótimos para quem anda acostumado com Paris. Aqui, 1 euro vale 4,22 zloty (que é a moeda polonesa). Mas além da questão do valor, o lance é se ligar nos preços mesmo. Nem tudo aqui é barato...mas comer e beber é fácil para quem se aperta tanto em Paris. Para provar isso, uma passagem por três comidas de rua aqui:

1) Os "bolinhos russos": eles chamam de pierogi ruskii e nada mais é que um ravioli de massa recheado com batata e queijo. Ele é cozido, sem molho e sem nada e servido com umas pelezinhas tostadas de frango. Não curtimos muito, mas pelo preço (16 zloty) achamos honesto. Geralmente acompanha uma espécie de molho inglês que cai bem com os bolinhos.


2) A linguiça polonesa: não trema em cima dessa delícia. É um pratinho com a dita cuja, um bom bocado de mostarda e pão. Eles chamam de kielbasa e parece uma das nossas linguiças assadas nas brasas. Mas com menos gordura e uma mostarda de lamber os beiços - e só 8 zloty! A Juliane chegou a dizer que foi o mais perto de churrasco que comemos na Europa...e vindo dela, é um elogio.


3) O " xis" polonês: tá, não é bem xis, tá mais para bruscheta. Mas é bom! Imaginem um baguete cortado ao meio com queijo, cogumelo e o que mais quiser em cima. Eles chamam de zapiekanka. É uma delícia e em algumas zonas, você não paga mais que 9 zloty por um caprichado.


4) Vivendo e bebendo: E as bebidas? Além da comida barata, Cracóvia ainda nos brindou com cervejas a ótimos preços (de 4 a 5 zloty o pint de 500ml), mas o mais interessante são as bebidas tradicionais:


Vinho quente e vodka com sabor! Essa história do vinho quente eu já tinha ouvido na França e minhas suspeitas se confirmaram: é quentão sem cachaça e sem canela, só com cravo. Esquenta e o gosto é ok, mas ainda prefiro o nosso. Quanto à vodka, o pessoal aqui faz umas das boas, e você pode bebê-las na maioria dos bares, com a diferença que aqui ela lembra bem uma cachacinha aromatizada, não muito forte e a preços irrisórios (4 zloty o martelinho, mas encontramos por 3 também).

Nem deu 24 horas e já encontramos um jeitinho de fazer uma boa e velha chinelagem na Polônia.


sábado, 1 de novembro de 2014

Rue Faubourg Saint-Denis - o lado ocidental

Bem, ontem o Fernando já contou que, por um erro de direção, fomos parar no lado errado da Rue Faubourg Saint-Denis, chegando assim no seu lado oriental, o que foi surpreendente. Mas hoje é dia de falar do outro lado da rua, o ocidental, mas que talvez não seja tão ocidental assim...

Primeiro, a nossa ida à região se deu porque queríamos conhecer o Canal Saint-Martin, um canal inaugurado em 1825 que é famoso por ser local de encontro da galera descolada da cidade. No verão, às margens do canal, o pessoal costuma se reunir para tomar uma bière e jogar conversa fora. Além disso o canal passa por alguns dos bairros descolados-alternativos da cidade (ou está muito perto deles), como o 10e, 11e, 18e, 19e, 20e. Importante: esses são bairros com muitos imigrantes e diferentes daquela Paris que a gente costuma ver perto dos grandes pontos turísticos. Falamos aqui de uma Paris mais real e contemporânea, e por isso com mais tensão social. Bem, voltando ao canal, ei-lo:

Lugar para correr, passear com o seu cachorro e beber com a galera.

Como íamos até lá, lendo o Paris Lado B (super indicado para quem quer sair do óbvio) fiquei sabendo que uma rua bem perto dali tinha uma série de bares legais e assim resolvemos esticar o nosso passeio até lá (bom, vocês já sabem que erramos o caminho vou passar direto para o caminho certo).

A Faubourg Saint-Denis, na parte ocidental, é bem curtinha, vai até o número cento e pouquinho, acho que umas 6 quadras no máximo. Não há nada de turístico na região, só bares, tabacarias, lojas, cabeleireiros, coisas normais de um bairro normal. Mas ela tem um "não-sei-o-que" que em alguns momentos me fazia sentir na América Latina, seja pela canção ou por uma amistosidade que não é muito comum por aqui.

Seguimos as dicas de bares que havíamos anotados. Deixamos um de fora, pois o preço da cerveja havia subido e entramos em um outro sem dicas , como vou dividir com vocês agora:

Le Sully: número 13 da rua, é um bar pequeno e simpático, com ótimo atendimento e pint de Krone por 3,50 euros.  Depois você tem a 1664 (séze) por 4 euros, e outras que giram em torno desse preço (a mais cara é 6 euros). Importante: o bar lota.

Le Prado: número 10 da rua, em frente ao Sully, é muito parecido com seu vizinho, inclusive nos preços (e simpático também!).

Tribal Cafe: fica em uma rua perpendicular, a "Petites Ecuries" (parece uma "passagem", a rua tem várias e com vários restaurantes baratos). Aqui foi um estouro: pint por 3 euros (Krone) e mais uma vez atendimento bom, e ambiente agradável. Aos finais de semana, rola uns rangos de graça e o bar lota (pelo que entendi, antigamente tinha boca livre todos os dias).

Para comer, uma série de fast foods: kebabs, paninis, pizza italiana, pizza turca (tem pimentão, gente, só para avisar) e cachorro-quente! Quando vimos a plaquinha do "hot dog" já sabíamos onde seria o lanche (não havíamos visto aqui ainda, assim, no meio das comidas de rua). Assim, fomos até o Hutch: house of hot dogs, um espaço pequenininho ali na Faubourg. Quando chegamos, o atendente estava servindo duas moças alemãs, então a conversa era meio curta, com palavras em francês, alemão e acho que até alguma coisa em inglês, mas frase completa ninguém dizia. Depois, na nossa vez, tentamos falar em francês como sempre, mas tivemos uma dúvida de vocabulário que o rapaz não sabia responder, foi quando ele confessou: era o primeiro dia de trabalho e ele não falava quase nada de francês. Ele falava espanhol. (Cinco segundos de alegria.) Daí para frente liberamos o Eric para falar em espanhol e podemos conversar um pouco com ele, que veio de Córdoba e agora está trabalhando com o irmão nos hot dogs (que na verdade são os deliciosos panchos!). O lanchinho saiu por 4 euros, bem gostoso, e ainda deu para trocar uma ideia com um "confrade", a gente super voltaria.

Acabamos indo a rua novamente, e quase nos perdemos de novo, indo parar na Faubourg Saint-Martin, que também tem portal na entrada. Para nossa sorte, era quase do lado da Saint-Denis..
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Essa é a entrada da Faubourg Saint-Martin.


E essa é a entrada da Faubourg Saint-Denis, a que a gente queria...

Mas nesse novo erro, acabamos caminhando mais pela região e vendo um lado do 10e que ainda não havíamos visto do lado "ocidental", a Paris dos imigrantes africanos, quase exclusivamente. Em algumas ruas (travessas na verdade), muitos cabeleireiros, todos africanos, e com clientes africanos. Pelo que entendemos, o esquema é por filas, assim, rola uma muvuca amiga na frente do salão porque está todo mundo esperando a sua vez.

Assim, da Índia até a África, passando pelo sudeste asiático e pelo nosso vizinho de Córdoba, somado a galera alternativa-descolada, a Faubourg Saint-Denis é um ótimo lugar para se conhecer e se sentir um pouco cosmopolitaine e um pouco em casa também.

sábado, 27 de setembro de 2014

Morte lenta em Paris - uma busca

Comer bem em Paris tem sido relativamente fácil. Os congelados não costumam ser caros e os produtos são frescos. Carne é um mundo à parte – a variedade encanta, mas o preço repele. Mas comer mal, aí sim é que entra o desafio!

Junk food (ou, no popular gauchês, “morte lenta”) é fácil de encontrar se você for naqueles grandes conglomerados como KFC, McDonald’s e Subway. Mas essa é a junk food padronizada, sem gosto e sem graça que existe em qualquer lugar do mundo. O Subway daqui tem o mesmo fedor que o de Porto Alegre e, apesar do McDonald’s se proclamar “McCafé”, a birosca é a mesma. Por um lado é bom, porque quem aprecia esse tipo de “comida” em Porto Alegre, vai achar seu correspondente em solo francês – maravilhas da globalização. Mas quem tem um pouco mais de discernimento ou paladar, não vai pagar 3 euros por um sanduíche do Subway quando é possível comprar, pelo mesmo preço, um baguete quentinho, um pedaço de queijo emmenthal e um presunto espanhol defumado. A Juliane propõe inclusive que quem vem para Paris e come no Subway seja julgado pelo Tribunal de Haia por atentado lesa-humanidade. Acho meio forte...

De minha parte, ando interessado nos“mortes lentas” raiz, aqueles que são preparados sem as menores condições de higiene (o que é fácil de conseguir aqui) ou respeito às normas sociais. Até agora provei três dessas iguarias típicas da comida de rua sem glamour e vou aqui dar o meu veredito:

Kebab: O mais comum “morte lenta” aqui, substituindo o tradicional “xis” gaúcho, o kebab é um espeto – geralmente de cordeiro – que assa lentamente numa dessas televisões de cachorro (mas ele assa na vertical, ao contrário do frango que assa na horizontal). No Brasil a gente chama isso de churrasquinho grego, embora ele seja extremamente multiétnico. Aqui você encontra kebab turco, kebab grego, kebab libanês e kebab do Magreb. Comemos, na primeira vez que fomos no 11éme, um que saiu por 10 euros para nós dois – a Juliane comeu um de frango, tendo em vista que ela não gosta de ovelha. A maior dificuldade? Pedir um kebab sem pimentão, ingrediente adorado pela comunidade árabe-francesa e detestado por nós. No geral, eles são bem caprichados, acompanhados de um molho indistinguível branco, uma salada e muita carne. Alguns dos kebab parisienses são tão famosos que extrapolam o preço. Lá no bairro do Marais, tem um que é considerado o melhor da França e custa absurdos 8 euros o mais barato. Um dia a gente vai lá. Veredito final: é bom, mas falta um ovo frito dentro.
 
Kebab da zueira

Panini: Não tão comum quanto o kebab, mas tem seu valor. O panini nada mais é do que um sanduíche de baguete recheado com carne, salada e molho. Alguns mais caprichados podem ter até três bifes de hambúrguer, presunto, ovo e queijo – fazendo assim a festa da proteína. Eles podem acabar sendo mais caros que o kebab, dada a quantidade de carne que você quer no sanduíche. Porém, nos casos em que apelamos para o panini, não nos decepcionamos – além de caprichados no recheio, eles eram acompanhados de generosas porções de batata frita. O lado negativo, se é que dá para chamar assim, é que as batatas são acompanhadas por molhos prontos que ficam ao gosto do cliente e a variedade desses molhos é assustadora. No 13éme, a Juliane pediu um que era “picante” e tinha um sabor que lembrava uma mistura de detergente com malagueta. Eu, por outro lado, pedi um molho argelino e que tinha o sabor de quatro tipos de pimentões diferentes. Em média, um panini reforçado numa área mais alternativa pode sair por 6, 7 euros no máximo. Veredito final: faz a festa da proteína, mas é bom ficar só com a maionese como opção de molho.
 
Nesse tem menos fritas que o normal


Crepe: É estranho imaginar o crepe francês como “morte lenta”, mas ele é.  Os crepes são preparados na hora, com uma massa que se assemelha a de panqueca e numa chapa redonda grande. No meio, o recheio de sua escolha. Embora as opções de recheio sejam bem menos variadas do que a de um saboroso crepe de Capão da Canoa, elas são caprichadas. Queijo e presunto, queijo e linguiça, queijo e frango...e por aí vai. A maioria dos lugares anuncia crepes doces, com Nuttella e tudo, para a alegria dos diabéticos. O tamanho é impressionante e chega a ser difícil de comer um inteiro sem ficar estufado. A massa, diga-se de passagem, é deliciosa e se o recheio nem tanto, não dá para reclamar: a quantidade é absurda e bem menos condimentado que outros “mortes lentas”. Veredito final: foi o de pior digestão entre os três, mas sem dúvida o mais impressionante em tamanho. Além disso, é o único que não conta com a presença de qualquer pimentão existente acima (ou abaixo) do Equador. E, segundo a Juliane, é o mais gostoso. Meu trato intestinal não concorda 100% com a afirmação, mas dou o braço a torcer: em termos de custo-benefício, tá no topo dos “mortes lentas” parisienses.