Mostrando postagens com marcador museus. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador museus. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

10 coisas que aprendemos no Museu do Comunismo

Mais uma "rapidinha" em Praga, e agora a partir da nossa visão sobre o museu do comunismo: é basicamente um museu dedicado a contar a vida dos tchecos quando eles faziam parte do bloco socialista. O museu em si tem uns souvenirs que são sensacionais, com uma zueira bem particular. Mas o museu...bem, digamos que ele gerou aprendizados...


1. Marx era um aventureiro boêmio e propenso ao "titanismo";
2. As teorias de Marx eram " científicas" (estava com aspas, assim);
3. A teoria econômica de Marx era obsoleta e ultrapassada;
4. Lênin era um agente alemão infiltrado só para acabar com a guerra;
5. Nas escolas comunistas, se ensinavam as crianças a odiarem a religião, os ricos e os países democráticos;
6. As mulheres foram inseridas no mercado de trabalho, "ocupando trabalhos de homens", com a " desculpa" da "libertação" feminina;
7. Os EUA nunca fizeram mal a ninguém e qualquer coisa dita em contrário é propaganda comunista;
8. A polícia bater em manifestante e "apreender" máquina fotográfica é coisa de comunista;
9. Culto a personalidade é coisa de comunista também (e por isso o monarca Wenceslau tem estátuas espalhadas na cidade);
10. O comunismo matou mais gente que as guerras mundiais, a peste negra e o dilúvio juntos.


A verdade é que o museu tem que ser visto como fruto do seu tempo histórico. Aqui em Praga, você anda em qualquer rua da cidade velha tem um museu de qualquer coisa (tortura medieval, vidros, cerveja, máquinas sexuais etc). O problema é que são museus privados e são organizados conforme seus donos (sem museólogo, sem historiador). Então o teor "Reinaldo Azevedo" do museu faz todo sentido, ainda mais se pensar que ele é tão pró-americano que chega a ser engraçado.

Mas enfim... Um museu diferente do que vemos pela Europa. E com uma zueirinha que até deu saudades.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Colonialismo francês - parte III

Domingo, dia de passeio - ainda mais quando a gente não queria ficar roendo as unhas por causa das eleições no Brasil. Então, depois de muito incomodar a Juliane, a gente acabou indo no Museu de l'Armée francesa no antigo Hotel dos Invalides, onde também fica o túmulo de Napoleão. O Hotel é um desbunde só, é gigante e lindo e começou a ser construído no século XVII pelo Luís XIV (o cara do "O Estado sou eu") para servir como uma espécie de hospital destinado aos veteranos de guerra (os invalides). E mesmo diante de tanta Revolução, o Hotel abriga ainda a imagem do Luís XIV em seu pórtico.


Demos uma boa volta no museu e vimos também uma exposição com representações da Primeira Guerra Mundial. Um passeio que não foi exatamente barato, mas que pelo menos a gente tinha uma expectativa de que fosse diferente. Cabe salientar, contudo, que aqui na França - assim como em outros países - o tema da História Militar geralmente é apropriado por gente que ama de paixão o Exército e tá louca para ter um milico para chamar de seu. Geralmente essas visões muito militaristas perdem de vista algumas revoltas populares e o papel dos Exércitos no massacre delas...mas chegaremos lá.

Sobre o museu, dá para dizer que ele cansa um pouco e não só pelo tamanho. É porque ele segue o estilo de memorabília mesmo, ou seja, é um monte de objetos colocados para você apreciar e em diferentes contextos. Por exemplo: canhões. Desde os primeiros canhões, usados no século XIV pelo Exército francês, até a artilharia anti-tanques da Segunda Guerra Mundial, tudo está ali no museu. No início achei muito legal ver...tem uns desenhos que mostram inclusive o uso das armas na guerra medieval. Mas depois de ver o quinquagésimo canhão, a gente tem que respirar fundo e seguir em frente. O mesmo valia para as armaduras medievais, para as espadas, para as lanças...tudo isso era um tanto quanto cansativo depois de um tempo. Mesmo nas armas da Era Moderna e da Era Napoleônica, o que mais se via eram fardas de soldados, armas, armaduras, essas coisas. Depois de um tempo já cansava.


O próprio Napô deixa um pouco a desejar. O seu túmulo fica na catedral dos invalides e é colossal. Muito bonito, mas tirando uma voltinha dentro dele e uma eventual reverência ao desgraçado personagem histórico mais famoso do século XIX, o lance era voltar para o museu mesmo. A exposição da Primeira Guerra também era meio cansativa...muitos quadros legais, mas pouca organização, fazendo com que eles fossem colocados sempre ao lado de armamentos e sem muita problematização política e social.

Mas o ponto mais drástico do museu foi sem dúvida o dos apagamentos. A História da França é cheia de momentos onde o Exército e as classes populares se debateram e se apoiaram. Em 1792, em meio à Revolução Francesa, os líderes jacobinos promulgaram o governo da Convenção e deram armas para o povo para que eles enfrentassem juntos os invasores externos vindos da Áustria. Esfarrapado e com fome, milhares de franceses aceitaram isso porque o novo Exército era uma forma de ascensão social e de prestígio numa sociedade que recém arrebentava seus laços feudais. E no final das contas, poucas menções aos soldados sans cullotes.

Há que se lembrar também que os franceses tomaram um belíssimo pau em várias guerras, mas uma das mais significativas foi a Revolução Haitiana, que perdurou de 1792 a 1802 e garantiu a primeira independência na América a libertar, de fato, os escravos. Enquanto o museu tinha uma sala toda dedicada à "Revolução Americana", a "Revolução Haitiana", em que os escravos pegaram em armas contra os opressores franceses, não tinha absolutamente nenhuma menção.

Em 1871, após a França ter sido derrotada pela Prússia na Guerra Franco-Prussiana, os operários parisienses decidiram proteger-se da invasão e pegaram em armas. Cansados da guerra, proclamaram um novo governo: a Comuna de Paris. Porém, o novo regime francês (a Terceira República) decidiu acabar com a Comuna e durante semanas a cidade de Paris foi bombardeada e incendiada pelo seu próprio Exército. Como era de se esperar, nenhuma menção a isso no museu.

Antes da Primeira Guerra Mundial, o deputado socialista Jean Jaurés se colocou contra a guerra que se avizinhava e após um inflamado discurso pacifista, foi baleado por um nacionalista francês. Semanas depois, os soldados franceses marchavam cantando a "Marselhesa". 1,7 milhões de franceses mortos. Nada sobre os pacifistas e os soldados que se recusavam a lutar (vejam o filme "Glória Feita de Sangue", de Stanley Kubrick).

Na Guerra Civil Espanhola, a França socialista declarou-se neutra no conflito, embora tenha abrigado militantes anarquistas e socialistas que fugiam da ditadura franquista. Na Segunda Guerra Mundial, a resistência francesa contou com um papel decisivo dos comunistas. Nada disso é citado.

Mas o mais zueiro dos apagamentos franceses é a parte sobre imperialismo e colônias. No século XIX há menção do imperialismo francês e uma demonstração de armas e comportamentos dos soldados coloniais. Mas nada de autocrítica. Nem uma vírgula. A França colonizou boa parte do mundo entre os séculos XIX e XX, mas as referências são mais para dizer que isso aconteceu. Isso não é motivo de vergonha, não há um mea culpa. Há somente uma longa exibição de armas e trajes militares. E, é claro, de cartazes de propaganda da metrópole francesa conclamando os povos colonizados a lutarem pela França - de 1840 a 1950. Nada sobre a guerra criminosa empreendida pelos franceses na Argélia, nada sobre os massacres ocorridos na África Ocidental. Apagamento.

A Juliane falou ontem que isso tem a ver, mais uma vez, com a forma como os franceses se percebem na sua narrativa histórico-identitária. Ou seja, se no Brasil a gente vê a colonização como uma chaga a ser superada, na França ela é só um episódio. Eles não celebram mais ela (até 1931 eles faziam "exposições coloniais"), mas não quer dizer que critiquem. Passou. Como as colunas romanas, como o túmulo de Napoleão, como a Belle Époque... Um passado não-recuperável porque, nesse caso, não interessa para eles.


quinta-feira, 16 de outubro de 2014

A saga do Louvre - parte I

Finalmente, depois de mais de um mês nessa terra, resolvemos ir ao famoso Museu do Louvre. Estávamos com receio das filas que enfrentaríamos e se íamos ter fôlego para encarar o danado. De ambos os medos, o primeiro não se confirmou. Foi muito tranquilo para entrar e se localizar lá dentro - somos péssimos com mapas, mas dessa vez nem nos perdemos. O segundo, bem...digamos que dos 4 andares do museu, hoje visitamos apenas um (e nem era o maior!).

A primeira dificuldade em visitar o Louvre é saber que se tu quiser ver tudo, uma vez não é suficiente. Nem duas. Talvez na terceira, mas é mais certo que na quarta role. Na quinta caso você queira ver alguma sessão com mais detalhes. Depois disso, é para os aficcionados mesmo - ou para quem tem filhos, acompanha idosos ou tem paciência de monge budista. Então, no final das contas, tivemos que ser seletivos e escolhemos começar hoje com uma ida ao mundo antigo (Oriente Próximo, Egito, Grécia e Roma). Mochilas guardadas, máquina na mão, mil ideias na cabeça e nada no estômago - porque esquecemos nossos sanduíches em casa (um erro que eu vou retomar depois).

Antes de chegar na parte de Oriente Próximo, a gente acabou pegando primeiro um desvio e indo parar na parte de esculturas francesas que iam desde a Idade Média até o século XIX. Foi um daqueles desvios massa, porque encontramos coisas que não estávamos procurando e eram sensacionais. Nessa sessão não tinha alguns dos mais famosos, claro, mas a parte medieval causava arrepios pela própria temática (muita escultura fúnebre e sacra), mas também pela estética.

Quando chegamos no final das esculturas, já tinha ido mais de 1:30h no museu...o jeito era ir direto para o Oriente Próximo, que começa com um passeio na escrita cuneiforme. Várias estelas e pedrinhas com os primeiros rudimentos da escrita mesopotâmica, uma doideira. Mas o melhor vem logo a seguir, na parte que trata dos babilônicos: o código de Hamurábi. O Hamurábi era um imperador lá daquelas bandas que fez, segundo se sabe, o primeiro código de leis escrito da história humana. E a vantagem do código era que basicamente o velho Mura garantia que mesmo que ele morresse, o código permaneceria, pois estava escrito em pedra (não que a tal pedra não pudesse ser destruída, mas enfim...). Ali foi lindo, eu tive vontade de lamber a pedra, mas não sabia bem a reação dos turistas em volta. E da guarda do museu, que falava ne pas toucher. Mas segurei o ímpeto. Foi massa! E no restante dessa área, alguns murais assírios, uns objetos de culturas iranianas, fenícias, árabes...tudo isso datando entre 3 a 1 milênio antes do JC, como os franceses costumam colocar.

Contemplando o código do Mura

Exaustos após esse passeio pelo Oriente Próximo, tivemos que optar por comer alguma coisa. Lembram que eu tinha dito que não tínhamos trazido sanduíche, né? O Louvre tem alguns restaurantes na parte interna, então tivemos que recorrer a ele. Estávamos perto de um e descobrimos que nele pagaríamos 19,50 euros por um sanduíche. 39 euros em dois (um pra mim, um pra Juliane). Bateu o desespero, chegamos a cogitar em sair do museu, procurar um baratex ao redor, enfim...até voltar para a casa chegou a ser pensado. Mas antes de tomar medidas drásticas, fomos até outro andar e vimos que tinha um outro restaurante. Esse mais uma lanchonete, cheia de coisinhas para levar. Os preços eram salgadíssimos (uma água, dois cafés, dois sanduíches: 19,40!!!)...mas era a melhor opção no momento. Sem contar que o lugar tinha mesinhas onde deu para fazer um bom descanso e recuperar energias para a outra metade do passeio.

Essa segunda metade começou na parte egípcia que é simplesmente sensacional. Os franceses são um pouco obcecados com o Egito, desde os tempos do século XIX com Napoleão. Quando ele atacou os ingleses e os otomanos lá, ele enviou uma enorme missão científica para roubar pesquisar os artefatos da antiga cultura egípcia. Com isso, milhares de peças chegaram até a França e, é claro, ao Louvre. Porém, depois os ingleses retomaram a região egípcia e passaram a eles roubarem as coisas para eles, colocando elas lá no British Museum. De qualquer forma, lá foi massa também - toda a parte de Egito é contada como um passeio à cultura deles, explorando coisas como instrumentos musicais, brinquedos de crianças, magia, religião, vestimentas, dia-a-dia, arquitetura... a gente chegou a ficar zonzo, mas foi sensacional. Detalhe importante: para quem espera ver múmias, lamento dizer, mas só tinha uma. E era bem meia-boca, nem parecia que ia se levantar e atacar. Novamente, ponto para o British Museum. Mas ainda assim, esse passeio pelo Egito foi sem dúvida a melhor parte.

Múmia egípcia

Restava ainda a parte de gregos, etruscos e romanos. É estranho que essa parte tenha sido colocada assim, tudo junto e misturado. Mas depois percebemos que ela é a menor parte e é inteiramente dedicada a esculturas greco-romanas. Não é que não seja legal, mas essa ideia de compêndio, de juntar tudo numa mesma sessão sem discutir as particularidades...bem, isso é meio entediante. No final a Juliane falou que não aguentava mais ver cabeças por aí - numa referência aos incansáveis bustos de mármore. Não é falar mal, mas talvez tenha sido a parte mais decepcionante do passeio exatamente por não ter preocupação alguma em "contar uma história". Era só uma gigantesca coleção de esculturas greco-romanas sem grandes problematizações. Vale só para entusiastas mesmo. E pela Vênus de Milo, que tá no meio de um corredor onde se encontra rodeada de turistas com máquinas fotográficas.

A Vênus é a altona no meio da galera

Saldo final do primeiro dia da saga? Exaustão. Voltaremos ao Louvre somente depois de nos recuperarmos bem.

Pontos altos:

  • A parte de Egito, é claro.
  • A pirâmide e a área central do museu, tudo lindo.
  • A paisagem do lado de fora também, sensacional.
  • Os quartos das esculturas greco-romanas, que conservam o estilo do barroco francês (cafona e lindo ao mesmo tempo).
  • As esculturas francesas.
  • O Código de Hamurábi!

Pontos baixos:
  • As esculturas greco-romanas.
  • Algumas partes de Oriente Próximo precisavam de mais explicação.
  • A comida lá dentro é cara (mas até aí, não dá para dizer que a gente não sabia).
  • A falta de noção de algumas pessoas que tocam (oi!?) nas esculturas. Dá vontade de cortar a mão deles! Ne pas toucher!!!

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Sobreviventes: 14 museus em 6 dias (Parte II)

Continuando a maratona...

Dia 4: No quarto dia, sábado, mais um dia de muito sol e temperatura agradável, iniciamos pelo Instituto do Mundo Árabe. Se propondo a contar a história daquela civilização, o museu ganha muitos pontos pela experiência sensorial provocada: muitos sons são evocados ao longo da exposição, seja pelo leitura de textos, pelas músicas ou pelos sons ambientes. Somado a isso, o fato do museu não ser dos mais badalados, o que significa uma visita tranquila (sabe aquela história do "imagina na copa?", aqui ela virou "imagina no louvre?").

A fachada do Museu Arábe é super gracinha.

Depois, fomos ao Museu Cluny, o museu da Idade Média, localizado em dois prédios históricos (séc. III e séc. XV), que foi fundado ainda no século XIX. Apesar dos prédios e tudo mais (tem um jardinzinho bem simpático na frente), o museu incomodou um pouco: sem metodologia, misturando itens de séculos diferentes, e alguns já renascentistas inclusive, o museu funciona quase como um antiquário. Dessa forma, descontextualizado, não nos agradou muito, não.

Cluny

Concluímos o Cluny e fomos até o Jardim de Luxemburgo almoçar. Já havíamos ido lá em outro momento (ele é próximo à universidade), então dessa vez fomos para descansar os pés e aproveitar os baguetes baratos do Monoprix. Como tem feito dias muito ensolarados nesse final de verão, o jardim está lindo de morrer, com muitas flores e todo mundo disputando seu lugar ao sol. Não sei como ele vai ficar no inverno, mas a imagem desse jardim florido e ensolarado já é umas das minhas preferidas de Paris.

Luxemburgo

Após o almoço, Arco doTriunfo. Essa, na minha modesta opinião, foi a “armadilha de turista” da rodada. Explico: você paga 9,50 euros (a gente já tinha pagado o passe) para subir umas escadarias sem fim e olhar Paris lá de cima. À noite, imagino que deva ser lindo, mas de dia, depois de subir as escadarias, a sensação foi de frustração mesmo.



(Um comentário meio aleatório: o metrô de Paris sábado parece Porto Alegre em dia de passe livre: lotadaço! E com aquele “perfume” todo especial... mas esse é assunto para outro post.)

Dia 5: No domingo, começamos pelo Museu Rodin, com uma fila de bom tamanho para uma manhã. Como tínhamos o passe, entramos sem passar por ela (na maioria dos museus, quem tem esse passe foge das filas, o que é uma grande vantagem em se tratando de museus concorridos). O museu está localizado em um antigo hotel, lindo por si só, com um jardim também belíssimo. E de lambuja Rodins para tudo que é lado, incluindo os famosos “O Pensador”, “O Beijo”, e “Portões do Inferno”. Soma-se a isso o fato do museu ser muito bem organizado. Achei muito tri.



Depois do almoço (baguete nos jardins do Rodin, é claro), fomos até o Museu d’Orsay. Primeira dica sobre o Orsay: fique um dia inteiro lá. Além de grande, o museu é demais, com impressionistas, pós-impressionistas, mais Rodins, Van Gogh e um monte de coisa bacana. O bom é que ele tem alguns ambientes para você esticar as pernocas e descansar um pouco, além de restaurante e café (não baratos, claros). A parte ruim é que ele é um dos museus famosos, ou seja, é bem movimentado, o que impede que você aprecie com calma as pinturas, o que é uma pena. Saímos de lá entre esgotados e maravilhados, e com muita vontade de voltar.


Dia 6: Para o último dia deixamos o Panthéon e o Museu Delacroixiniciando o nosso dia pelo primeiro. O Panthéon não é propriamente um museu, e sim um monumento - ele foi criado durante a Revolução Francesa para "louvar os grandes homens da França". Em sua cripta encontram-se enterrados Émile Zola, Jean-Jacques Rosseau, Victor Hugo, Alexandre Dumas, Jean Jaurès, Marie Curie e Voltaire, para ficarmos em alguns nomes. Vimos também a mostra especial, uma homenagem a Jean Jaurès, político socialista francês assassinado em 1914, às vésperas da I GM. O mais legal da homenagem/mostra é que ela inicia com o assassinato de Jaurès, acompanhando assim as apropriações feitas dessa figura ao longo dos anos, ou seja, a sua transformação em um herói de esquerda e as disputas políticas em torno da figura.


Depois do Panthéon,fomos ao Museu Delacroix. Diferentemente dos outros museus em que estivemos, esse se localiza em um prédio bem escondido e sem muito daquele charme século XIX que a cidade exala (e que às vezes cansa). O museu é bem pequeno, e contém desde pinturas e esboços do artista até objetos pessoais. Tem um pequeno jardim ao fundo, mas que não se encontrava lá uma belezura. Somado ao fato de o museu parecer não ter método algum na sua exposição, Delacroix que nos perdoe, mas ficamos um tanto quanto decepcionados (a gente não tirou nem foto, só aquele selfie matreiro que não conta)

Como acabamos cedo as visitas, fomos até a Igreja de Saint Germain des Près, que era pertinho dali. Essa é a igreja mais antiga de Paris, e diferentemente da suntuosidade das outras, é bastante sóbria e menos restaurada do que as outras. Com entrada gratuita, como penso são todas as entradas em igrejas, você pode ver a tumba do Descartes que se encontra em uma das capelas.


Bom, passada a maratona, o saldo é uma boa economia, mas também um super cansaço: dormi 11 horas depois do último dia da maratona! Mas foi uma experiência para lá de prazerosa para entender um pouco mais a França e também apreender um pouquinho mais sobre arte.

PS do Fernando: Ainda tem os museus gratuitos...

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Sobreviventes: 14 museus em 6 dias (Parte I)

Bom, que Paris é cheia de museus todo mundo já sabe. Pela quantidade de museus, do Louvre ao Museu dos Correios (!), poderíamos ficar meses nesse périplo. Mas, como em quase todos se paga para entrar e em alguns não temos tanto interesse assim, decidimos comprar um passe, o “Paris Museum Pass”, que nos dá acesso a cerca de 60 museus em 6 dias e nos daria uma super economia no final do passeio, além de nos ajudar a objetivá-lo. Primeiro: esse passe pode ser comprado para 2 (46 euros), 4 (52 euros) e/ou 6 dias (69 euros). Segundo: ele só vale a pena economicamente se você conseguir visitar 2 museus/monumentos por dia, em média. Adendo: o passe funciona mais ou menos na base da confiança. Como? Você coloca, no verso do passe, a data que começou a utilizar. Ou seja, você é o responsável por esse controle. Em alguns museus eles até utilizam um leitor de barras, mas em outros é só uma olhadinha mesmo. 



Pesquisamos bastante na internet e fizemos várias contas para ver o quão econômico ele poderia ser. Depois de acertada a compra, nos preparamos fisicamente e metodologicamente para a maratona, fazendo um planejamento que cobria 14 museus em 6 dias (incluindo aqui monumentos como o Arco do Triunfo e o Museu Guimet, que já havíamos ido, mas sem conseguir ver a coleção de Japão e China em função do horário). Deixamos assim de fora o Louvre, que merece uma atenção toda especial, e fizemos um combinado de museus de portes diferentes para cada dia.

E valeu a pena? Bem, pensando em valores foi ótimo. Somando nós dois economizamos cerca de 89 euros. Outro ponto positivo é que o passe evita frustrações. Explico: por exemplo, fomos no Museu Cluny e não gostamos muito. Se tivéssemos pagado os 8 euros na entrada, sairíamos dele desolados, mas como já havíamos pagado o passe, tudo ficou numa boa (mentiras sinceras, às vezes, me interessam). Outra vantagem é que você pode conhecer museus que você não teria maiores interesses. A desvantagem? Fadiga física e mental! Mas se você está afim de economizar uma grana e tem fôlego para maratonas, é uma boa alternativa.

Mas vamos a ela, a maratona:

Dia 1: Começamos o tour na quarta-feira, com a Saint Chapelle, uma capela gótica do século XIII. Ela é bem pequenina e famosa pelos seus vitrais. Confesso que ao subir a pequena escada que liga a parte inferior com a superior e ver os vitrais até me emocionei, achei demais mesmo. Além disso, como ela é pequena, não havia muitos turistas lá dentro, sendo assim um ambiente menos opressor do que muitos pontos turísticos da cidade. Recomendo muito.



Depois da capela, fomos para o Musée de l’Oragerie, que se localiza em frente a Place de La Concorde e dentro do Jardim das Tulherias . O museu em si é pequeno, por isso um pouco muvucado, mas poder ver Monet, Cézanne, Matisse e companhia assim, ao alcance das mãos (ne pas toucher!), é um privilégio. Além disso, ainda temos réplicas de Rodins pelo pátio do museu, incluindo o famoso “Beijo”. E depois disso tudo ainda dá para comer um baguete no jardim, que é muito gracinha. Nem preciso dizer que recomendo.

Rodins no pátio do Musée de l'Orangerie

Como terminamos as visitas relativamente cedo, tanto a capela quanto o museu eram pequenos, acabamos indo ao Museu Guimet de novo (havíamos ido no primeiro domingo do mês, quando muitos museus são de graça). Bem, o Guimet é um museu de arte asiática, bem na pegada imperialista de sempre que nos leva àquela perguntinha incômoda: como tudo isso veio parar aqui? Ele é bem organizado (falo isso porque visitamos um museu em especial que parecia não ter método algum, falarei disso logo), amplo e tudo mais, mas é meio monótono: os itens estão ali expostos como algo exótico a ser admirado (o que acontece também no Quai Branly, mas esse confesso que gostei mais).

Museu Guimet

Dia 2: No segundo dia, começamos pela famosa Catedral de Notre Dame. Bom, que ela é exuberante no seu exterior dá para ver pelo Google Images, mas, repleta de turistas, ela pode ser uma pouco desagradável. Explico: com hordas e hordas de turistas sedentos por fotos/selfies, o monumento histórico fica em um segundo plano no qual ele parece perder a razão de ser. Além da visita à catedral, que é gratuita, há também a visita à cripta, que é paga. Para os amantes da arqueologia é uma pedida.



Após, fomos ao Memorial da Shoah, que é gratuito, mas foi indicado a nós e era no caminho dos museus daquele dia. Na esquina do memorial, uma escola relembra os judeus franceses mortos durante a II GM, especialmente as crianças, muitas das quais eram alunas daquele colégio. De entrada no museu, um muro com os nomes de judeus franceses mortos durante a II GM. Lá dentro, muito bem organizado, uma série de fotos, vídeos e itens dessas vítimas, incluindo uma sala com fotos somente das crianças. Como amostra especial, o genocídio em Ruanda dos anos 90. A sala é pequena em comparação com o restante do museu, mas tem uma força avassaladora: além de fotos e vídeos, estão expostas roupas, sapatos e armas encontradas nos massacres. Para os de coração forte.  E acho que esse é um dos grandes méritos desse memorial: ele materializa o seu homenageado de uma forma que é impossível não sair de lá emocionado. Recomendo.



Depois do memorial, uma visita ao Museu da Arte e História do Judaísmo. Aqui, um estilo de museu mais tradicional, naquele estilo “admire-me ”, contando a história da comunidade ao longo do tempo naquele tom celebratório. E, como desfecho, a formação do Estado de Israel e todo o apagamento das tensões presentes. A parte mais interessante do museu, para mim, uma filha das Letras, são as inúmeras menções a Alfred Dreyfus (Caso Dreyfus), sempre lembrado por nós via Émile Zola e seu artigo, “J’acuse”. 



Dia 3: No terceiro dia, havíamos nos programado para ir ao Centro Pompidou e Arco do Triunfo (especificamente subir no Arco), mas o primeiro mostrou-se avassalador demais: ficamos horas lá dentro. O Pompidou é o museu de arte moderna daqui, localizado em um prédio moderno (nada daqueles museus em prédios históricos e antiquíssimos) com exposições, livraria, biblioteca, café, restaurante, vista gracinha de Paris, etc. e tal. Além disso, o que é comum aqui, tem uma exposição temporária, a qual não temos acesso com o Paris Museum Pass, mas podemos ver todo o restante, é claro, começando por uma “História da Arte, Arquitetura, Design, dos anos 1980 a nossos dias” e terminando com o “Modernidades Plurais: arte moderna de 1905 até 1980”. Neste, você tem praticamente uma aula de história da arte tamanha a organização do museu enquanto vê Matisse, Kandisky, Miró, Picasso, Tarsila, Di Cavalcanti e companhia. Outro ponto positivo é que o museu não é dos mais lotados, assim você pode até admirar com calma os trabalhos expostos, o que é um luxo por aqui. Além disso, você sai dali e está em um região cheia de cafés, artistas de rua, hippies "vendendo sua arte" e, claro, o Marais, famoso bairro da capital francesa.


Vista do Pompidou
 
Próximo texto: Museu do Mundo Arábe, Museu Cluny, Arco do Triunfo, Museu Rodin, Museu Orsay, Pantheon e Museu Delacroix. (turma que vai do decepcionante ao estonteante, passando pelo super valorizado). Para quem quiser ver mais fotos, é só clicar ali no meu nome na barra lateral, você será direcionado para o meu perfil do Google Plus, onde estou armazenando algumas fotos.