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segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Cozinhando com Fernando Pureza

Depois de nos aventurarmos em alguns pratos franceses considerados tradicionais, resolvemos aproveitar o fato de estarmos em uma cidade que se quer cosmopolita e que mostra isso inclusive nos seus supermercados. Explico: nos grandes supermercados, você vai encontrar uma série incrível de temperos, principalmente asiáticos, assim é fácil variar a alimentação e experimentar sabores novos.

Imbuído desse espírito, e sendo um amante do curry, o Fernando pesquisou por receitas que utilizassem carne de porco (que não é muito cara aqui) e o seu querido tempero, chegando assim a essa receita aqui (em inglês, do site da BBC): Porco thai com curry de amendoim. Dá para fazer no Brasil, o mais difícil talvez seja a "manteiga de amendoim", talvez a Paçoquita cremosa dê conta, mas não sei se ela não é doce demais para o prato (a manteiga de amendoim "tradicional" é mais salgada do que doce). Mas vamos à receita para duas pessoas.

Ingrediente:
1 colher pequena de óleo
1 cebola cortada
1 pequeno punhado de coentro (não usamos - eu nunca sigo a receita!)
400 gramas de filé de porco em tiras (depende da fome da galera)
2 colheres de sopa de curry vermelho
2 colheres de sopa de manteiga de amendoim
1 colher de açúcar
1 colher de molho de soja
200 ml de leite de coco
80 gramas de baby corn (os milhozinhos, sabem?)
suco de um limão
100 ml de água
Arroz jasmin para acompanhar.

Modo de preparo:

Frite a cebola por um minuto, depois acrescente a carne, fritando-a por uns 5 minutos, até as iscas ficarem marrons (variável de panela para panela e de fogão para fogão).

Coloque o curry e a pasta de amendoin. Espere uns 30 segundos e coloque o açúcar, o molho de soja e o leite de coco. Acresce uns 100 ml de água. Deixe cozinhar por uns 15 minutos, em fogo baixo, com a panela fechada.



Remova a tampa, acrescente o baby corn e aumente o fogo.

Molho antes de reduzir (depois da redução, a aparência lembra muito o nosso conhecido strogonoff)
Cozinha por uns 3 minutos, até o milho ficar no ponto e o molho reduzir um pouco. Coloque então o suco de limão e confira os temperos (percebam que não colocamos sal individualmente). E voilá!

Para quem gosta de curry, é uma delícia. A gente, que também gosta muito de pimenta, ainda utilizou um desses molhos de pimentas thai, que são agridoces.

Não façam como a gente: comam salada em todas as refeições.


Chamei os cachorros, fácil. Taí a nova Palmirinha do 15éme!


PS: Procuramos na internet qual seria a bebida mais indicada para o prato (ui, harmonização. ui, esquerda caviar. mimimi), e descobrimos que deveria ser uma bebida "refrescante", ou uma cerveja Blanche, ou uma belga; para vinho, o branco Gewurztreminer. Optamos pelo último, e descobrimos que ele tem gosto de suco de abacaxi, mas que junto com o curry cai bem. No Brasil não sei se tem essa uva, vinho branco definitivamente nunca foi o meu forte, mas aqui eles são tão "não ácidos" que é fácil lidar com eles. Além disso, pela variedade de vinhos e de seus preços, é fácil tomar algo gostoso pagando um preço bem honeste (mas esse é assunto para outro post...).

domingo, 19 de outubro de 2014

Lapin: uma experiência

Já postamos aqui a nossa receita de Coq au vin algumas semanas atrás, o "galo no vinho" deles, que fizemos com frango mesmo porque galo, bem... soa estranho. Depois disso, chegamos a nos aventurar pelo Boeuf Bourguignon, que no fundo é uma carne de panela cozida no vinho (e que tem seu valor). Ontem, fomos um pouco mais longe na culinária francesa e fizemos um Lapin au vin blanc, que em bom português é "Coelho ao vinho branco".

Confessar-vos-ei que fui a entusiasta da empreitada (apesar de sentir uma certa vergonha em comer o dito). O Fernando ponderou mas eu insisti: quando vamos poder comer lapin de novo? Nunca. Todos de acordo, achamos essa receita aqui que nos pareceu ok (e não segui à risca, claro, porque eu nunca sigo à risca uma receita). Temíamos o preço da carne, mas fomos surpreendidos com uma promoção: de 10 por 6,50 euros uma bandeja com quatro coxas do seu lapin, mais do que suficiente para o prato. Mas vamos à receita em si:



Ingredientes:

4 coxas de lapin (depende da fome da galera e do acompanhamento)
50 gramas de bacon defumado
1 taça de vinho branco ( o indicado é o Muscat, mas dá para substituir por outro vinho branco não muito ácido)
1 cebola
1 colh. manteiga
1 colh. azeite de oliva
1 buquê garni (no post sobre o Coq au vin falamos dele: é um combinado de ervas específicas)
1 colh. pequena de mostarda
1 tablete de caldo de galinha diluído em 500 ml d'água
100 gramas de cogumelo Paris
1 caixinha de creme de leite
Farinha de trigo, sal, pimenta preta.

Modo de preparo:
Aqueça a manteiga e o azeite em uma panela, frite o bacon. Assim que eles estiverem douradinhos, retire e reserve. Na mesma panela, com a gordura do bacon e da manteiga/óleo, frite os lapins e a cebola até dourar. Depois de dourados, mantenha-os na panela e salpique sal, pimenta e farinha de trigo (pouco) nas coxas. Feito isso, baixe o fogo, coloque o vinho, a água com o caldo, a mostarda e o garni. Deixe cozinhar por cerca de 1h30, sempre cuidando para não secar. Caso seque, coloque mais água. Depois desse tempo, coloque os cogumelos fatiados e o bacon que você havia reservado. Cozinhe mais uns 30 minutos. Passado esse tempo, retire as coxas e reserve. Coloque o creme de leite e deixe ele reduzir um pouco. Depois, devolva as coxas para a panela e voilá! Está pronto o Lapin au vin blanc. Nós fizemos como acompanhamento batatas, mas arroz também seria uma boa.




O nosso veredito de ontem foi mais positivo do que negativo: o molho é delicioso, e pensamos que o coelhinho pode ser substituído por frango, por exemplo. Mas o lapin em si não ganhou fãs aqui não. Se a princípio ele parece uma carne suave, conforme você vai comendo percebe que ela não é tanto assim e tem um sabor bem característico. Além disso, utilizamos o buquê garni pronto (como um tablete de caldo de galinha): muito condimentado e salgado. Mas o pior foi hoje: dia dedicado a saborear uma azia toda especial (salve estomazil!), que credito sobretudo ao lapin e ao garni. 

O que aprendi sobre isso? Sem lapins e garnis condimentados. O que tenho aprendido até agora sobre a culinária local? Cozidos com vinhos e conhaques são uma grande pedida por aqui. Sem coelhos e sem garnis, daqui a pouco estou pronta para outra.


domingo, 28 de setembro de 2014

De comer rezando (ou: Nossas aventuras na culinária francesa)

Entre as coisas que eu mais gosto no mundo encontram-se cozinhar e comer, não necessariamente nessa ordem. Quanto a comer, viajar é sempre uma aventura: mudança de temperos e de carros-chefes da culinária. Isso não me preocupava muito na viagem para cá já que a culinária francesa é famosa, e eu já tinha aceitado que comeria MUITO menos carne do que o habitual. E, além disso, como se trata de uma cidade grande de verdade, ela teria muitas opções, como de fato possui. Até aí tudo bem, o problema é que comer na rua se torna bastante caro comparado ao que se gasta para comer no Brasil. Por exemplo, em um almoço barato se gasta em torno de 12 euros (+/- 36 reais) com entrada e prato principal (mais um monte de pão e água, que aqui é de graça em restaurantes - você só paga se quiser tomar um água mineral da marca tal). Claro que para os padrões deles, com um salário mínimo de cerca de 1.400 euros, não é um absurdo, mas para gente não é refeição para se fazer todo dia. 

Já sabíamos que a tônica seria cozinhar, o que já fazíamos muito no Brasil, por economia e por prazer. Assim como sabíamos que teríamos que mudar toda a nossa dieta, norteada pela carne, já que aqui ela é bem mais cara (o preço do coxão de dentro aqui é o preço do filé de Porto Alegre, +/-). Para compensar, a variedade e a quantidade de queijos e cogumelos (a preços dignos!) é inimaginável. Assim, de início o nosso raciocínio era substituir a carne pelo cogumelo, o que funciona. Escondinho? De cogumelo! Massa? Com cogumelo! Até salada com cogumelos a gente fez. O próximo passo é fazer um carreteiro de cogumelos (porque risoto de cogumelos é muito mainstream - mas eu adoro, diga-se de passagem).

Mas confesso que até agora não tínhamos comido um prato daqueles de "comer rezando" e chorar no cantinho, o que pra gente, que gosta de cozinhar e comer, é uma pena. Assim, para resolvemos o nosso "problema", decidimos nos aventurar pela culinária local tradicional com a ajuda do Google.


Optamos por fazer o famoso "Coq au vin", que em bom português seria "Galo ao vinho". A receita tradicional fala em um galo inteiro, aproveitando assim inclusive o fígado do Coq, mas optamos por uma receita mais "moderna", com galinha e sem fígado, s'il vous plâit. Optamos pela receita desse site aqui e fizemos algumas adaptações. O prato é relativamente fácil de fazer e vou dividir a receita com @s colegas porque dá para fazer no Brasil e é MUITO gostoso. 

Ingredientes (receita para duas pessoas):

4 sobrecoxas (sem pele)
50 gr. de bacon defumado 
100 gr. de cogumelo Paris
2 cebolas pequenas
50 gr. de manteiga
Farinha de trigo
50 ml de conhaque
150 ml de vinho tinto
1 tablete de caldo de frango dissolvido em uns 300ml de água
1 dente de alho
1 bouquet garni (conjunto de ervas aromáticas, como tomilho, louro e salsa - nós compramos pronto no supermercado, no Brasil dá para montar)
Sal e pimenta preta
1 cenoura crua cortada em rodelas

Preparação:
1) Cortar o bacon, a cebola e os cogumelos
2) Colocar a manteiga na panela e fritar o bacon por 5 minutos, em média, depois acrescentar a cebola e os cogumelos. Fritar por uns 3 minutos. Depois retire-os da panela (você vai usar a mesma  panela para fritar o frango) e reserve.
3) Salgue o frango (é a hora de colocar a pimenta também) e polvilhe ele com farinha (não precisa deixar ele branco, é só um pouco mesmo). Depois doure as partes na mesma panela que você usou para fritar o bacon, o cogumelo e a cebola.
4) Depois de dourado o frango, coloque o conhaque, o vinho e o caldo de frango. Baixe o fogo e coloque os outros ingredientes: cogumelo, bacon, cenoura. Coloque também o dente de alho e o bouquet garni (faça um raminho de forma que você possa tirá-lo depois).
5) Deixe cozinhando por 1 hora e voilá!


Para acompanhamento um purê ou batatas no vapor. Fizemos as batatas no vapor e no final acrescentamos ao prato. Ficou sensacional, mas para paladares que gostam de comida temperada: as bebidas e o garni deixam um sabor bem marcante. Para os adoradores de cogumelo: segundo o Fernando, foi o melhor cogumelo que ele já comeu. De comer rezando. Uh-la-la!