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quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Bonne Année

Ontem e hoje foram dias de comemorações por todos os cantos, aí, aqui e acolá. Aqui nas Oropa, tivemos a sorte de termos os últimos dias bem claros e ensolarados, com temperaturas "aguentáveis" para ficar na rua e aproveitar a cidade. Se no Natal Paris deu uma esvaziada, depois dele a cidade lotou! Metrôs, supermercados, pontos turísticos: tudo cheio de gente pronta para comemorar a "virada" na cidade.

O problema, até então, é que Paris não tem muita tradição de festas de ano novo ao ar livre com queima de fogos e todas essas coisas que estamos acostumados no Brasil (e em vários outros lugares do mundo). Parece que o pessoal não comemora muito a data por aqui, pelo menos não como a gente por aí. Alguns vão para a Torre, outros vão para a Champs, mas só vão mesmo, não há nada lá. Mas esse ano algumas coisas mudaram: parece que fazia 15 anos que a cidade não tinha queima de fogos no ano novo e que essa teria sido uma das promessas da prefeita Anne Hidalgo (do PS) durante a campanha. Madame Hidalgo ganhou e cumpriu a promessa: um rendez-vous foi marcado para às 23:30 na Champs Elysées, onde haveria queima de fogos e projeções no Arco do Triunfo. A rua foi então fechada, disponível somente para pedestres e o metrô estava liberado das 17h até o 12h do dia seguinte (algumas linhas funcionavam até 2:15 e outras mais centrais 24 horas).

Assim, logo depois da nossa "ceia" (deliciosos salgadinhos do Picard), partimos em direção à avenida, com metrô liberado e com uma temperatura agradável para os padrões do inverno europeu: ou seja, uns 6 graus. Descemos na Place de La Concorde, fim da avenida, e seguimos até o Arco, acompanhando a movimentação e a marcha mais ou menos silenciosa (não tinha música, gente!) da multidão. No caminho, algumas barraquinhas de kebab, outras de espumante, outras de cerveja. Muitos turistas, de todas as idades (vimos muitas crianças), e muitos franceses também.



O espetáculo de "video-morphing", como eles chamaram, começou às 23:50 e projetou vários pontos turísticos de Paris direto no Arco, fazendo aquela narrativa tipicamente parisiense - que é uma mistura de "como sou foda" com um narizinho de cheira-peido. Mas ainda assim, foi lindo e emocionante, gente!

Mas há uma crítica: muito curto! Comentamos isso entre nós, falando das queimas de fogos no Brasil e juro para vocês que ouvi outros brasileiros falando a mesma coisa. "Foi bonito, mas foi curto" é o veredito tupiniquim. Se alguém está procurando emprego em Paris, diria que esse é um bom investimento, eles têm muito a aprender com a gente.

Para os amantes da cidade luz, recomendo fortemente ver os vídeos abaixo. O primeiro é uns trechos da projeção de vídeo e o segundo é a queima de fogos completa e em ótima resolução, no site da cidade.



Já o vídeo completo e em ótima resolução, pode ser visto aqui.

Joyeuse Année à Tous et à Toutes! Et merci, Paris! ;)

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

15 momentos da retrospectiva europeia de 2014

Alguns dos melhores momentos que tivemos em 2014, bonitos e bonitas. A gente curtiu muito essa experiência e ela está ficando cada vez melhor - ainda que no final. Então fizemos uma mini seleção de good times para lembrar do 2014.

1) Visitar a "Casinha dos Smurfs", em Bruxelas: ficava no Museu dos Quadrinhos, lá na Bélgica. E a Ju adorou, ficou ali dentro um tempinho, pedindo fotos. É aquele momento onde a gente volta a ser criança. C'est mignon, como dizem os caras daqui.


2) O 11éme, aqui em Paris: é a nossa zona favorita ainda aqui na cidade luz. Barzinhos alternativos all the way, muito kebab rolando nas ruas. Desde a nossa primeira ida (o nosso primeiro boteco foi o Pili Pili) até as nossas últimas idas no frio, nosso bom programa era tomar uma pint por aqui.


3) Pizzas com Peroni, em Roma: adoramos Roma e os romanos. Mas a coisa mais legal foi ter tomada cerveja barata e comendo pizzas deliciosas. A nossa primeira pizza foi numa praça, a Santa Maria dei Trastevere, onde compramos uma birra e duas pizzas deliciosas, ficando numa fontana. Começou a chover, mas depois fomos para uma pizzaria.



4) Ter conhecido a Ricota e falado sobre Falcone, em Roma: e mais legal ainda em Roma foi todo o lance de espontaneidade. Num boteco baratinho da cidade, sentamos lá para tomar umas Peroni, a cerveja deles. Papo vai e papo vem, uma senhora entrou no bar com um cachorrão branco e pediu um gelatto. E o cachorro comeu tudo, claro, se lambuzando! Aí não resisti e fui puxar papo. Descobrimos que o cachorrão era uma cachorrona linda chamada Ricota. E para completar, o dono do bar ainda tinha cartazes do Falcone (o Falcão, ex-Inter) no bolicho dele. Rendeu conversas e risadas.



5) Ver os vitrais da Saint Chapelle: linda, linda, linda. A Saint Chapelle foi a nossa experiência religiosa mais surpreendente em toda Europa. Nem eu e nem a Ju somos pessoas religiosas, mas quando você vê os vitrais medievais da catedral de Luís IX, dá até saudade dos bons tempos da Idade Média (tá, nem tanto). Pena só que a rosa central da catedral, onde é reproduzido o Apocalipse - o livro mais legal da Bíblia - estava em restauração.



6) Visitar o túmulo do Jim Morrison, no Pére Lachaise: indo no cemitério mais famoso de Paris, a gente viu coisas muito legais e prestamos homenagens aos nossos mortos. Mas poucos túmulos foram tão emocionantes de ver quanto o do Jim Morrison, vocalista do The Doors. O túmulo infelizmente tá gradeado, já que tinha muita gente que fazia festinha no cemitério para um dos deuses do rock and roll. Mas a galera nem por isso deixou de fazer zueira e o local tá cheio de oferendas e homenagens para o homem.


7) Ver a capela Sistina, no Vaticano: ok, a gente realmente não curtiu o Vaticano. Muitas filas, muitas tourist traps...mas ver a Capela Sistina foi...uau! A experiência em si é maluca. A gente fica tudo empoleirado numa sala enorme e tem centenas de pessoas olhando para o teto. Se alguém tenta tirar uma foto, os guardinhas do museu vão correndo dar esporro - mas eu consegui tirar duas (fuck the police!!!). Mas foi lindão, gente. Antes disso, eu já tinha me comovido com o painel Escola de Atenas, do pintor Rafael Sanzio, que sempre foi um dos meus renascentistas favoritos e tá lá no Museu do Vaticano também.



8) Ter vivido para contar Auschwitz: não somos sobreviventes, claro, mas vivemos para contar. E acho que esse é o sentido de Auschwitz. Viver para contar. A necessidade de contar sempre vai ser grande. E se algum dia alguém perguntar, não vou dizer que não tem como contar, que não tem como falar, que tem que ver... tem que ver, sim. Mas é algo a se contar sempre.



9) Tocar no Muro de Berlim: tocar no muro é uma experiência louca. Eu e a Ju somos filhos dos anos 80 e temos alguma memória do muro caindo e coisa e tal. Sendo assim, tocar nele foi como retomar memórias infantis e adultas ao mesmo tempo. Dá para dizer que ele nem é tão legal, que muro tem em tudo quanto é lugar, que tem pedaços dele em qualquer lojinha de souvenirs em Berlim. Mas é uma memória - e é bom tocar uma memória, gente!



10) Rever o mar, em Barcelona: não era o Oceano, claro, mas era o Mediterrâneo - valeu, Braudel! E ver praia, ver mar, ver céu, ver palmeiras...é tipo a Bahia, mas falando catalão! E as praias de Barcelona, mesmo no inverno, eram lindas.


11) Ter feito o nosso vídeo pós-eleições: a gente nunca fez um vídeo, mas o contexto pós-eleições fez com que a gente tivesse necessidade de fazer um tentando comentar algumas coisas que nos assustaram muito. E saiu legal até, teve umas 500 visualizações, enfim. Foi massa!



12) Ter ido numa manif em defesa dos curdos e da luta deles em Kobane: foi lindo! Foi um dos momentos que eu achei mais emocionantes em toda a viagem. Toda solidariedade aos curdos e a sua luta - que não é só pela criação e reconhecimento do Estado Nacional, mas também por um projeto político de de libertação popular e feminina. Da praça da Bastilha à praça da República,


13) Ver o (e tocar no) Código de Hamurábi: desculpa, gente, mas eu quase lambi a estela milenar. Eu me controlei, mas fiquei ainda fascinado por aquilo. Numa pedrinha tão singela, o primeiro código de leis escritas da humanidade. E tava ali, diante de mim, na nossa primeira visita ao Louvre! Foi sensacional!



14) Noite em Berlim: nossa última noite em Berlim foi massa. O hostel onde estávamos estava mais ou menos vazio, era dia 22/12. E acabamos conversando com portugueses, belgas, italianos e também brasileiros, tomando boas cevas, ouvindo Raul Seixas (juro!). Foi uma boa noite!



15) Tudo isso e mais um pouco: teria tantas outras coisas para lembrar do que fizemos nesse ano. A gente foi só escrevendo, sem fazer ranking nem nada. Foram muitas experiências diferentes e que de uma forma ou de outra, queríamos muito dividir com vocês. De 2015 o que esperamos é isso: é que tenhamos cada vez mais coisas dividir com quem gosta da gente e de quem gostamos.

Bonne année, galera! :)